terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Aniversário da Batalha de Monte Castelo em 21 de fevereiro










Em 25 de julho de 1943, o ditador Mussolini foi demitido como primeiro-ministro pelo rei Vítor Emanuel III e logo depois preso. Em setembro de 1943, após ocupar a Sicília, que tinha sido ocupada em julho, os exércitos aliados invadem a Itália continental. Também em setembro o ex-ditador da Itália fascista foi libertado de uma prisão por paraquedistas alemães e criou com apoio nazista uma república fantoche em região no norte italiano dominada pelos alemães, a "República Social Italiana" ("República de Saló").


Primeiramente, para procurar deter a invasão aliada, o marechal Kesselring estabeleceu uma ampla linha de defesa chamada "Gustav", com posições fortificadas em terreno montanhoso. Mas após meses de defesa contra os exércitos inimigos dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e de outros países, o marechal teve de mandar suas tropas recuarem e formou no verão de 1944 novo sistema de linhas de defesa, a "Linha Gótica", cujo ponto de apoio principal era a cidade de Bolonha.


A "Linha Gótica" se estendia por 280 km, partia da região costeira do Tirreno, indo do oeste italiano e passava pela cadeia  de montanhas formadas pelos Apeninos, terminando à leste, na faixa litorânea do Adriático. Para ser construído tal sistema de defesa foram usados mais de 15.000 trabalhadores escravos. Os nazistas e os fascistas criaram mais de 2.000 pontos de fortificação, com bunkers, ninhos de metralhadoras, casamatas etc. Os aliados para conseguirem alcançar Bolonha (uma grande cidade italiana), tinham de romper a "Linha Gótica". Se conseguissem romper essa linha poderiam utilizar a Rota 64, uma estrada fundamental para o avanço. Do alto de montanhas e colinas os alemães podiam ver os inimigos tentando prosseguir e se esses tentassem subir tais elevações, seriam atacados por metralhadoras e artilharia. 


Em setembro de 1944 houve um rompimento parcial da linha na "Operação Oliva". Mas as forças nazi-fascistas se retiraram em ordem. A linha assim procurava se manter até a derrota do Eixo na Itália, o que ocorreu em fins de abril de 1945. 


Foi justamente na época dessa linha de defesa que a Força Expedicionária Brasileira atuou.  Monte Castelo fazia parte dessa linha e era um ponto fortificado e estratégico que dificultava muito a passagem de tropas aliadas. A batalha de Monte Castelo está inserida na segunda fase da Operação de Rompimento da "Linha Gótica" e foram feitos 4 ataques por brasileiros de novembro de 1944 a fevereiro de 1945 para tomar o chamado Monte Castelo, situado a 61,3 Km a sudoeste de Bolonha e a 977 metros de altitude, nos Apeninos setentrionais, entre as regiões Toscana e Emília-Romana. 


As forças aliadas na Itália no fim de 1944 envolviam o 8º Exército Britânico e o 5º Exército dos Estados Unidos. Nesse exército havia o 4º Corpo de Exército  americano, com a inclusão da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária ou Força Expedicionária Brasileira(FEB), junto com uma Divisão Blindada norte-americana, uma Divisão sul-africana, uma inglesa e a 10ª Divisão de Montanha norte-americana. Essa lutou com os brasileiros para que fosse tomado Monte Castelo. 


Houve 4 "assaltos" (ataques) por parte da FEB para tomar Monte Castelo. A primeira tentativa em 24 de novembro de 1944 fracassou por causa de uma fortíssima reação de uma divisão alemã, obrigando brasileiros e norte-americanos a recuarem de várias posições. 


No segundo "assalto", três batalhões brasileiros  atacaram. Mas houve fatores que impediram a conquista da elevação: a tomada na noite anterior pelos alemães de um monte próximo que era estratégico e que tinha sido tomado anteriormente pelos norte-americanos, como também  a chuva e a lama impedindo a ação de tanques e havendo impossibilidade de uso de aviões por causa do mau tempo. Os alemães contra-atacaram violentamente, barrando os avanços dos aliados. 


O terceiro "assalto" foi em 12 de dezembro de 1944. Foi uma operação caracterizada pelas perdas consideráveis brasileiras, com 20 mortos e muitos feridos. De novo o tempo estava ruim e a aviação aliada não pôde agir. Dois batalhões brasileiros fizerem um esforço tremendo com conquista de algumas posições. Porém houve pesado fogo de artilharia alemã. 


Para o general brasileiro Mascarenhas de Moraes, era preciso atacar com mais forças e não apenas com alguns batalhões. 


Finalmente, em 21 de fevereiro, com condições amenizadas do inverno, foi feito o último ataque, que foi bem sucedido. Todos os batalhões de infantaria brasileiros foram usados com apoio maciço e preciso da artilharia brasileira, comandada pelo general Cordeiro de Farias. A ofensiva foi denominada de Operação Encore. Além da FEB, participou também a 10ª Divisão de Montanha dos Estados Unidos que tinha de tomar um monte vizinho, o Monte Della Torracia. O ataque começou às seis horas e às 17:30  Castello  havia sido todo tomado pelos brasileiros, antes mesmo da 10ª Divisão norte-americana ter conseguido atingir seu objetivo, o que só conseguiu já quando era noite, com ajuda de soldados brasileiros. 


Depois da tomada de Castello a FEB recebeu a missão de conquistar da região de La Serra, para aliviar a situação das forças norte-americanas detidas em La Possione e proximidades. Com a vitória em La Serra os brasileiros puderam tomar posse da linha Roncovecchio-Seneveglio e assim terminou a primeira fase do Plano Encore.


Após a participação vitoriosa em outras batalhas como Castelnuovo e Montese, a FEB em fins de abril conseguiu a proeza de capturar cerca de 20.000 alemães e italianos fascistas no dia 28 de abril de 1945 e em 2 de Maio de 1945 o Alto Comando Aliado declarou a guerra terminada na Itália. 

 Figuras: Linha Gótica e Monte Castelo











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Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História

Figuras: Google. 

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